segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Macedónia de férias


Celorico de Basto, Vila Pouca de Aguiar, Mealhada, S. Miguel (Alentejo), Odeceixe, Aljezur, Carvalhal, Santarém, Santa Maria da Feira, Celorico de Basto, Ponte da Barca, Lindoso, Sr.ª da Peneda, Celorico de Basto, Dine (Trás-os-Montes), Celorico de Basto, Mosteiro (Vieira do Minho) e S. Bentinho da Porta Aberta (Serra do Gerês). Estes foram, por esta ordem, as telas onde pintei estas férias. Um completo, vá para fora cá dentro, totalmente distante deste mundo e, por isso, sem relatos nestas últimas 2 semanas. Regressados ontem, ainda sinto no corpo o torpor da última actividade, ainda me cheira a aldeia, ainda sinto a brisa do mar, ainda tenho o ritmo lento dos fantásticos dias de férias. Mas o plano destas férias teve dois grandes momentos: primeiro um necessário retiro romântico, a dois, para descansar e um segundo momento totalmente dedicado á família, como reclama a consciência. Primeiro fim-de-semana: proposta aceite para acompanhamento dos bem dispostos caminhantes do GRUCAMO, um grupo de Famalicão, que nesse Sábado planeou percorrer o "PR2 - Trilho do Castelo" de Vila Pouca de Aguiar. Descoberta de novos sítios e de novas pessoas, sempre óptimos para condimentar a vida. Apesar dos 18Km sob sol abrasador, as paisagens convenceram e a vista inesperada do Castelo, mereceu todo o nosso esforço. De seguida, rumo ao Alentejo, paragem desejada, às 16h, para um belo dum leitão no "Pedro dos Leitões" na Mealhada. Barriga cheia, obriga a chegar tarde ao Parque de campismo de S. Miguel mas ainda a tempo de montar a tenda antes das 22h, como nos tinham alertado. Os 3 dias seguintes foram passados ali, pela costa alentejana, ao sabor da vontade, sem horas, sem internet, sem grandes telefonemas, com praia, com belas refeições e aquele ar de campo a desinfectar os pulmões. O parque com **** recomenda-se. Um belo serão com cinema ao ar livre numa das noites foi outra agradável surpresa. A praia de Odeceixe é agradável, mas de famílias. Uma praia contígua à do Carvalhal, onde se desce cuidadosamente pela falésia, terminando o trajecto com a ajuda de uma corda aí colocada, foram dos melhores momentos destas férias. Praia praticamente só nossa nas primeiras horas. Em pleno Agosto. Só nós, o barulho do mar e aquele deambular de pensamentos vagos e preguiçosos. Bom, muito bom! Quinta-Feira regresso a casa, com paragem na "Mina Velha" em Santarém, com direito a surpresa do prato típico Bacalhau grelhado com Magusto. Recomendo também. E é mesmo ali, perto da Autoestrada. Destino final, a feira medieval em Sta Maria. Como sempre , excelente ambiente, com cada vez maior e mais cuidada organização. Não faltam eventos e o difícil é perceber o tempo não passar. Desfazer e fazer novas malas. Gerês é o destino, agora em família. O difícil, sair de casa, consegue-se. Merenda em Ponte da Barca, mesmo ali ao lado do Lima. Regresso ao Lindoso, nas mesmas casas de Janeiro, mas agora com uma fantástica piscina, aquela hora só para nós. Jantar avantajado, previamente preparado e rodadas de copos com o Sr. Garcia. Difícil já era dizer probabilidade... Sábado, remake da caminhada de Janeiro, mas desta vez adaptada a este grupo tão especial. Paisagem com novas cores, animada pela inocente e terna companhia do Sebastião, o labrador com poucos meses, lá de casa. Regresso e almoço comemorativo no Domingo, com direito a tudo. Dia seguinte cansativo, de preparação logística dos últimos dias de férias. Regresso ainda nessa noite a Trás-os-Montes. Dine, assim se chama a aldeia, em pleno Parque Natural de Montesinho. Terra Natal de avós e tios. Um ar puro, uns aromas plenos de natureza. O regresso anual. Os preparativos habituais do dia da festa, o 15 de Agosto, são repletos de agitação, não fosse a assadura do leitão, criado e morto ali mesmo, uma tarefa digna da mais digna responsabilidade. Os dias são diferentes aqui. Eu gosto. Penso muito na vida. A imaginação tenta-me transformar num habitante dali. Tenho quase a certeza que ia gostar. Passo tempo a pensar nos prós e contras. À noite, até aqui se tornou moda, uma caminhada ligeira, depois do jantar. E claro, mais um prazer meu. O céu estrelado preenche o bréu destas noites de lua nova. Não me canso de admirar e falar das constelações, estrelas e até desse fenómeno das estrelas cadentes. Um autêntico património da humanidade, perdido por entre as cidades. S. Bentinho da porta aberta, em pleno Gerês é a próxima aventura. A ansiedade é muita. Afinal o objectivo é ambicioso. Caminhada/Peregrinação a ligar Celorico à Basílica do Santo. São 65Km previstos, para fazer em 2 dias. Somos 5. O alojamento, na "Casa da Pancada", perto de Vieira do Minho, obriga a fazer 48Km no primeiro dia. Esgotantes e sem fim. Apenas a força e vontades de chegar ao destino, nos levaram até Mosteiro. Uma hospitalidade típica deste Minho, com um tratamento quase VIP e uma vitela ao jantar, merecedora até de repetição exclusiva, um dia destes. A segundo dia, com 16Km, começou também cedo. Eram 4h30 da manhã. A luz dos frontais e a esporádica passagem dos veículos prenchiam as pupilas nossas. O GPS e os sucessivos pedaços das cartas militares não permitiam muitos atalhos, mas contudo, havia-os, não somando mais que 5% do trajecto, fora das bermas daquelas nacionais. S. Bentinho, dia 19.08.2007, +/- às 9h30 da manhã, chegamos todos os 5 ao destino. Há pequenas mazelas, fruto da dureza da prova, em todos. Mesmo ali à mão, num posto da Cruz Vermelha, encontramos água quente, para lavar pés e trazer de volta o conforto que raramente perdemos. Uma equipa comandada pela enfermeira Maria, diagnostica bolhas, calos e assaduras e oferece umas massagens dignas de santo, a estes pés cansados. A eucaristia celebrada por um padre ansião, conclui a promessa da mãe. O avantajado "merendeiro" trazido pelos avós, fecham com chave de ouro mais esta conquista. Domingo, ontem, o dia foi, como previsto para fazer 0. Em casa, quietos, a absorver os efeitos de pomadas e cremes no corpo. E venha lá outro ano de trabalho. Um bom regresso a todos!




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