segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Red Bull Air Race - Porto 2007


Um nervoso miudinho se foi instalando aqui no Porto, ao longo desta semana. A expectativa da ver e ouvir máquinas voadoras a executar manobras impensáveis para o comum dos mortais, sobre as águas deste Douro, envolveu tudo e todos. Estávamos cerca de 600 mil pessoas, neste Sábado a assistir a esta prova do campeonato do mundo da F1 dos ares. O cenário é magnífico e a organização sabe-o, por isso escolheu pela primeira vez este troço de rio entre a D. Luís e a Arrábida. A vontade e promessas iniciais, onde se previa a passagem dos acrobatas debaixo do tabuleiro inferior da ponte D. Luís, acabou por ser posta de parte pelos próprios pilotos. Reflexos do sol na água e segurança comprometida, acabaram por comprometer essa visão. E o plano de segurança que envolveu toda a zona e arredores, funcionou mesmo. Cada vez mais me impressiona a logística destes grandes eventos. Fora de série! Obrigando a fechar pontes, a interromper a circulação do metro, a bloquear fluxos de pessoas, enfim, uma máquina a envolver muita, muita gente. A prova em si, no próprio dia, superou as minhas melhores expectativas. Gostei, gostei muito. O dia foi preenchido com muitas emoções. Daqui do Porto, foi único ver todos os possíveis e inimagináveis miradouros sob o Douro, de Gaia, preenchidos com uma autêntica moldura humana. Estávamos mesmo muitos. De cá, logo desde as 11h, que os espaços se tornavam cada vez mais escassos. As 13h são cumpridas com uma inquietante e cardíaca contagem decrescente com a ânsia desesperada de perceber de que céu iria aparecer o primeiro objecto voador. Para nós, por entre as árvores, um ponto cai, em queda livre, com um som sibilante debitado das colunas, suspendendo por momentos as respirações. Um avião não era, assim se confirmou apenas e só quando um pára-quedas se abre e o homem se adivinha, lá no alto. Aplausos por toda a parte para o início do show. Excelente banda sonora a imprimir muita energia à assistência. Pouco depois, lá ao fundo, atrás da ponte da Arrábida, o primeiro avião atrai muitos dedos indicadores. Aproxima-se num ápice das águas do rio e com o primeiro rasto de fumo, executa o impossível, as voltas acrobáticas na pista, mesmo ali à nossa frente. Depois vem o loop, e o regresso em sentido contrário. Retorna e repete 2ª vez o percurso. Fabuloso! Por entre as restantes passagens, não consigo deixar de pensar na força esmagadora que os pilotos sofrem, ao contrariar a inércia, no loopings, até 10 vezes g, até 10 x o peso do corpo!!! Como é possível? Como aguenta o coração tamanha violência, como continua a cérebro a funcionar? Não percebo. Tenho que ler mais sobre isto. E a circulação sanguínea, e a respiração? Decididamente incrível. A cereja em cima do bolo, a demonstração dos caças, com mais acrobacias, desta feita, soberana e sincronizadamente em grupo, mais alto nos céus. O vencedor? Nós, ao calor, ao sol e à paciência para evitar a pior das confusões. Ah, e o Steve Jones (Team Matador), claro.


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