segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Caminhada 02 - Serra da Freita


Desta vez, a pontualidade marcou o início do dia. Às 9h01 estávamos no local combinado (de carro), a caminho do ponto de partida. O planeamento deste percurso foi deixado à mercê do gato; não me preocupei nada. Começamos a palmilhar as encostas da Freita, pelo lado Oeste da mesma, na aldeia de Porto Novo (580m). Desta vez somos 4, com o puto/dálmata incluído, mas mais daqui a nada já temos mais um reforço de equipa. Hoje não temos a aventura do mato da semana passada! O trilho está bem marcado, e o caminho não tem segredos. Passamos pouco depois de Porto Novo numa aldeia, já abandonada, que “diz-se que” foi comprada por uns alemães que já a andam a reconstruir. Eu só pelo nome já dava uns tostões por uma morada assim: Trebilhadouro. Gostava de ter vivido no tempo em que se deram os nomes aos lugares. Nesse tempo, o mesmo responsável teve lapsos de imaginação em alguns momentos, porque passado pouco tempo, estamos nós a passar num lugar homónimo do meu concelho – Cabanelas. Adoro o interior, adoro estas gentes, adoro a sonoridade destes nomes, adoro o ar da serra, enfim adoro o ar livre! Bom, mas continuando monte acima, estamos já perto dos 800m de altitude. Primeira paragem técnica para reforço energético e contemplação do que nos rodeia. Hoje o dia é de sol, a temperatura está muito agradável, e não precisamos das luvas. O horizonte termina longe, mas difuso. Chega a ser visualmente estranho, temos uma linha horizontal no fundo de neblina, que divide o céu do azul característico para um deslavado castanho até à tocar a terra. Ao fundo do caminho um “lenhador” aproxima-se de nós, como quem não quer a coisa, olhando para os lados com disfarçado interesse e claro, mortinho por meter conversa. “Então? Vieram dar uma volta?”, o homem estava era preocupado se nós andávamos ali a caçar algum dos 300 coelhos que ele tinha – era o proprietário de parte daquele monte. “Não, esteja descansado, só viemos para aqui ANDAR (…)” Prosseguindo, estamos no cimo do trilho, tecnicamente difícil para BTT, mas “canja” para caminheiros. Merujal à vista e logo depois Sra da Laje. O Alex babou-se de alegria quando viu a dona juntar-se a nós. Excelente timing novamente. Continuamos por um trilho excelente, com as melhores vistas do dia. Ao longe Urrô, Várzea e Arouca. Não conhecia este lado da Freita. O percurso leva-nos ao sabor das conversas amenas e das brincadeiras ingénuas do Alex, ao desafiozinho do dia, um zig-zag com pendente ascendente, que pelo GPS deve estar +/- nos 20% de inclinação, bom! Está a correr bem. Já é 1h30, paramos para almoçar. Bela paisagem, boa companhia e doces laranjas/tangerinas. O Alex não pára. 20 min e estamos já rumo ao ponto mais alto do percurso, o vértice geodésico de S. Pedro Velho (1077m). O trajecto, depois de cruzada a estrada, apresenta já “sintomas” de altitude, formações graníticas, predominância de vegetação áspera rasteira. O marco geodésico é visível e está ali no alto, à distância de uns saltos de rocha em rocha. Lá de cima, vemos a Albergaria da Serra ou Albergaria das Cabras para os amigos a SE sensivelmente e povoações anónimas a polvilhar aqui e ali o horizonte. Em menos de 15min o tempo metereológico vira e somos envolvidos por um apressado nevoeiro de inverno, que nos empurra para resto do percurso. Passamos na Albergaria das Cabras e em pouco mais tempo, aí estamos nós novamente na Sra. Da Laje, com os 16Km desta semana nas pernas. Obrigado gato e dona do Alex.

Resumo:
Distância: 16,3 Km
Tempo:
05:54
Altitude Máxima:
1080m (S. Pedro Velho)
Altitude mínima:
478m
Subida acumulada:
1054m (GPS) / 740m (Polar)
Caminhada 02 done.

Legenda:
0. Eu e o Alex em S. Pedro Velho.
1. Zona Calcorreada (cartas militares nº 154 e 155).
2. Alex no trilho, depois da Sra da Laje.
3. Zig-Zag
4. Altimetria da caminhada.

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Próxima caminhada: "Caminhada 03 - Serra d' Aire e Candeeiros", 21.Jan 2007 (Dom.). Quem vem connosco?

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