segunda-feira, 16 de julho de 2007

Bobadela de Chaves


Este foi mais um daqueles fins-de-semana. Dos que estão planeados há muito. Fomos para Bobadela, a cerca de 15Km de Chaves ali em Trás-os-Montes já quase quase no Parque Natural de Montesinho. A aldeia terá cerca de 100 habitantes, a maior parte, muito envelhecidos, mas respira-se lá aquele ar! E o sítio é tão remoto que nem os telemóveis reconhecem o território como seu, quase não há rede, dificilmente se fala, há que procurar um canto cá fora, onde se consiga estabelecer o canal de comunicação. Conclusão, nem os toques polifónicos dos telemóveis se sobrepõe aos cantos dos pássaros nem aos zurros dos burros que por ali passam. O dia começa pelo mercado de Matosinhos. Umas frescas sardinhas, da lota para a grelha. A viagem pela nova auto-estrata para Chaves é hiper-panorâmica. Tão perto de casa e tão desconhecida. É muito cénica, a lembrar algumas das melhores paisagens da Europa. Já na Bobadela, as brasas estão prontas a receber o pescado. Grande almoço, farto, bem regado e muito animado por todo este grupo de 10 pessoas. Fantástico! São 16h e ainda estamos com os maxilares a trabalhar. A burra do Sr. Lindo, passa em frente a casa e torna-se rapidamente objecto de companhia em dezenas de fotogramas. Momento da voltinha do café, logo ali perto, no café do Sr. Nuno. As conversas soltas com as gentes da aldeia, tão genuínas, alegres e simpáticas fazem a tarde passar ao sabor das nuvens. Agora com a desculpa de banhos, viagem de carro até à longínqua praia fluvial. A viagem dura insistentemente. Chegamos já com poucos minutos de sol, antes da sombra daquele monte. Mas o tempo dá muito bem para um farto lanche. Regresso, com paragem e abanões na "pedra bolideira "(enorme penedo). Jantar bem regado e programa de noite, justificado pelas cartas do "Buraco". Antes disso, nova ida ao café da aldeia e um céu estrelado polvilhado de milhões de estrelas, da claríssima Via Láctea e claro estrelas cadentes. Imaginação à solta, tentando desenhar constelações na união dos pontos e o fascínio deste mundo mesmo ali por cima. Já tinha saudades destas estrelas! Domingo, manhã preguiçosa mas coordenada na alvorada. O homem do pão bate às portas dos quartos, a algazarra instala-se e os bocejos vão aparecendo no corredor. Parece que há quórum para a vontade de uma caminhada. A custo e na dúvida de chuva, saímos em direcção ao castelo de Monforte, a 4 Km dali, por volta das 11h. O percurso é? Fabuloso, claro. O céu tapado poupa-nos o escaldão e o suor. Contudo, a +/- 500m da chegada a chuva cai finalmente. Não molha, mas aborrece. E agora? Não vai parar. Meia-hora depois cai ainda com mais vontade. Bom... Plano B: boleia! Interrompido um churrasco de família que ali está também, conseguimos a boa-vontade do Sr. Eduardo, para nos levar, 2 condutores a casa. São 30 min ir e vir. Recompensamos o favor com duas de vinho verde, bem recebidas. Regresso de carro, sempre debaixo de chuva. Sem estar frio, as roupas semi-húmidas causam arrepios. Justifica-se a medida e em pleno Julho, acendemos a lareira da casa, para as fêvras claro, mas já agora aquece e não sabe mal. A comida é muita e o almoço arrasta-se. São novamente 4 da tarde e ainda estamos à mesa. Dinâmica de grupo a funcionar e deixamos Bobadela já perto das 19h, com direito a paragem ainda em Vidago para abastecimento de água lá para casa. Para além destas memórias fica a vontade de, em breve, repetir esta região!


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