segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Chamusca, Vindimas e Corpo Humano

Ao documentar momentos da vida com esta nova frequência (2 semanas no máximo), corro este risco, ter ainda mais para descrever no espaço reduto de um post. Mas é um novo desafio, que quero experimentar e, claro, com o tempo extra, dedicar-me mais a outros projectos/objectivos.

E de facto esta última quinzena foi rica em mágicos momentos. Ribatejo para começar. Um fim-de-semana fabuloso proposto e dirigido por uma anfitriã 5 estrelas. Obrigado Inês, mais uma vez, pelo excelente programa e pela extraordinária hospitalidade. Com o quartel general instalado na Chamusca, pequena-grande vila ribatejana, a bordejar o Tejo na margem sul, fizemos de tudo um pouco e nem a ameça de chuvas nos 2 dias nos demoveram. Começou logo no serão de Sexta-Feira. Tivemos o prazer de ficar instalados em casa de um fadista. Mas não de um fadista qualquer. Além de ser o simpatiqíssimo pai da nossa anfitriã, é um reputado e acarinhado fadista ribatejano. João Chora. Serão deliciosamente preenchido (além da comida e vinho ribatejanos) pelas notas e acordes do piano acompanhados pela voz afininadíssima do nosso anfitrião. Uma delícia, uma raridade de tão intimista que foi. Simplesmente adorei e agradeço a magia do momento a ambos, pai e filha, pela ternura das melodias partilhadas. Sábado, oportunidade única para conhecer a Chamusca, vila do Ribatejo. Dia de feira, cinzenta de céu, mas alegre nos passos. O branco das paredes das casas mostra-nos a escadaria, que lá no alto, do mirante da Nossa Senhora do Pranto, nos apresenta o aglomerado da Chamusca, ribeirinho ao Tejo, que aqui é ainda apertado nas margens. A vista vai longe e é bela e diferente. O rio pinta as suas lezíras de côr. Avançando, simulação de touro e tourada no campo de jogos, e reforço de mochilas com um almoço volante abastado preparado pela mãe. Que delícias. De comer e chorar por mais. Um belo pic-nic beira-Tejo. À tarde, mais uns bons momentos e experiência inédita, a experiência de montar a cavalo. Cordoaria de Pinheiro Grande foi a nossa escola. Elegantes e respeitáveis animais todos aqueles cavalos. O nosso era paciente e dócil, um puro Lusitano, mas lá de cima, os comandos das rédeas complicavam-se e só a determinação e ordens firmes nossas transformavam os movimentos de ambos nas nossas vontades. À noite, tinha que ser. Sopa da pedra em Almeirim. Muito boa, e uma carne em espeto de louro, daquelas. Reforço de programa com saída ao bar do momento, ali, também em Almeirim. Domingo, nova descoberta. Na Golegã, visita guiada à Casa-Estúdio de Carlos Relvas, um ícone para amantes da fotografia. Recentemente restaurado, o edifício, só por si, já merece a visita. Depois, passeio descontraído, na margem sul, pela pitoresca vila de Arripiado, a ver o Tejo e "Tancos civil" do lado de lá. A chuva ameaça mas o almoço não é comprometido. À tarde visita ao Castelo de Almourol, ali na ilha. Os bombeiros, fazem-nos a viagem de barco, prestavelmente sem custos. O castelo é fantástico e o cenário em volta também. De registar é também a viagem de regresso. Com uma descarga de água, instantânea apenas durante a viagem, molhando-nos e dando emoção aqueles épicos 20min.

Neste fim-de-semana, programa diferente. Sexta, feriado, dia de recolher à adega, as uvas para o verde vinho deste ano. Dia árduo de campo, ao qual o sol e as poucas nuvens aligeiraram a temperatura e o desconforto das tarefas. Correu bem e levou-se quase a metade a tarefa anual da vindima deste ano. Sábado, casamento de 2 amigos no Botão, não no país, mas numa das freguesia do concelho de Coimbra. Domingo, programa em Lisboa. Além do belo passeio com os amigos e a sempre bem disposta companhia do Davide, amigo Italiano do ERASMUS na Finlândia, espatosa foi a visita à Exposição do Corpo Humano. Já não me lembro de uma exposição assim, onde o interesse do que se vê, se mantém do início ao fim, sem tédio. Uma exposição polémica desde início, não fosse o facto de todos os "espécimens" serem todos eles reais, de pessoas. Não impressionou pela exposição de cadáveres. Impressinou sim, pela espectacularidade e complexidade desta nossa máquina, o nosso corpo. Desde as dimensões e proporções dos músculos, à intricada rede de nervos e ligamentos do sistema central, passando pela robustez do fato que a derme nos envolve. A forma como estão expostos os espécimens e a minúcia do detalhe, por exemplo, na obra de arte da rede de veias, artérias e capilares, não deixa ninguém indiferente. E deve ser mesmo boa a exposição. Esperamos cerca de 20 minutos numa fila, neste Domingo de manhã, para entrar. Aconselho a todos. Repetia caso pudesse.


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