segunda-feira, 23 de abril de 2007

Os meninos de S. Pedro da Cova


Há fins-de-semana assim, reconfortantes.
Na Sexta foi tempo para ir e vir a/de Aveiro. Um rodiziozinho no Planeta Brasil, com o mote do aniversário teu, festeira Raquel, soube muito bem, não soube? E depois, como foi o resto da rambóia? Eu a Li, regressamos então ainda na noite de Sexta ao Porto. A estória é desta feita, por cá, Porto e arredores. A agitação tem-nos (a)tirado para longe de casa frequentemente, mas confesso que partilho dessa opinião, de que não é preciso ir para muito longe para se conseguir "daqueles" momentos. Não quero pois, ser explorador doutros solos sem investir igual atenção ao nosso, por cá, com tanto para ver e fazer. E é precisamente este pensamento que nos assola o espírito, inúmeras vezes, quando andamos por lá, e que nos empurrou para fazermos o que fizemos este Sábado de manhã. Inscrevemo-nos há algumas semanas como voluntários na Legião da Boa Vontade. Aguardamos até este fim-de-semana, para colaborarmos pela primeira vez. A LBV mantém-se activa, aqui na região do Porto, prestando auxílio diverso a pessoas necessitadas. No Sábado às 9h da manhã, estávamos a postos para o programa "Semente da Boa Vontade". Uma manhã passada com um grupo de 18 crianças, dos 6 aos 13 anos, de famílias de baixos recursos económicos ou desagregadas, como me disseram na entrevista. O mini-bus foi buscá-las, a casa, ao bairro de S. Pedro da Cova, em Gondomar. Nós esperamos na casa da LBV. O dia está fantástico, mas as instruções da Albertina, monitora e responsável pelo programa são claras. Manter as crianças dentro de casa, evitar os andaimes e material de obras que está no recreio. Bom, vamos lá ver... Chega o mini-bus, chegam as crianças que logo nos começam a tirar as medidas "Quem são estes?", devem pensar. Mas alguns já vêm a ripostar, a mandar umas ca#%!hadas e a levantar o dedo do meio, como se nada fosse. Ok, vamos lá ver no que isto dá... Entramos e apesar do caos que se viria a tornar constante, a Albertina é bastante respeitada por todos. Quando se quer, consegue reduzir a pouco, os sons daquelas guelas estridentes! É regra da casa, que todos os voluntários são "tios". Ganhamos assim 18 sobrinhos em pouco tempo e, durante toda a manhã fomos bombardeados com centenas de chamadas "Oh tio... oh tio...", "O tio já vai..." - dizia eu. Primeiro momento do dia, pequeno-almoço. Brigas frequentes e tudo é motivo para "queixinhas" aos tios. Mas os putos são fantásticos. E em pouco tempo, todos querem colo e ver o mundo daqui de cima, destes invulgares 191cm acima do solo. O Daniel, com 6 anos, parece ter ficado meu fã e não me larga. Giro é também jogar e entender as diferentes personalidades já tão vincadas de todos e cada um. Passamos grande parte da manhã a construir cartolinas alusiva ao tema "Solidariedade". No meio do caos sonoro e de correrias incrontroláveis pela casa, nós e as outras 3 voluntárias, (Ana Isabel, Ana Sofia e Patrícia) terminamos a tarefa mesmo a tempo do almoço, entretanto preparado pela Albertina e pela Ana Isabel. Os miúdos apesar de reclamarem, já conhecem e cumprem as regras da casa. São obedientes e esta casa ajuda-os a "ter regras". O nosso trabalho é esse também. Nós servimos o almoço e sentamo-nos à mesa com eles. Após refeição, arrumação da cozinha, estamos no pátio, com a Albertina a distribuir lembrança/brinquedos para levarem para casa. O dia ficou ganho logo ali quando me perguntam "Tio Paulo, tio Paulo, para o próximo dia vem?". É para repetir, sem dúvida. Hoje (Domingo) foi simples, acordar preguiçoso, preparar farnel, deambuleio pelo litoral a norte, até a minha saudosa Apúlia, almoço e leituras estivais, pela primeira vez no ano, numa toalha, na areia da praia. Tempo ainda para passar nas Clarinhas de Fão e regressar a casa. Após sesta, corrida vespertina no belo Parque da Cidade, soube pela vida.



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