domingo, 31 de julho de 2011

Pirinéus 2011

Parc Nacional d'Aigüestortes i Estany de Sant Maurici, na fronteira da Ibéria, na Catalunha mesmo no limite com Aragão. Um espanto este reduto da natureza onde as águas revoltas e lagos formados pelo aconchego do granito nos oferecem uma paisagem extasiante. Foi por aqui, na montanha, quase sempre acima dos 2000m que andei, na semana passada, com o grupo de 17 pessoas que o GEMA levou este ano à cordilheira rompida da Jangada de Pedra. Foram 4 dias de pura montanha, em autonomia auxiliada apenas pela guarida e meia pensão de 3 refúgios de montanha, Amitges (2380m), Estany Long (1987m) e Ventosa i Calvell (2220m). Uma mochila com uns constantes 11 Kg fez-me a companhia de guarda costas e protegeu os víveres necessários para resistir às amarguras dos caprichos da montanha. E não foram poucos. Apesar da altitude não incomodar o suficiente, foram os elementos os principais desafios da jornada. A chuva sobretudo. Chouveu, choveu muito. Molhámo-nos e ouvimos sem parar água por todo o lado, no regato, na queda de água, na cascata imensa, a chuva a bater na cara e na roupa impermeável. Um chatice? Não! Um gozo, um gosto. Ver tanta água a fluir neste vital círculo. Assumir como uma dádiva e sentir por uns dias o prazer de caminhar à chuva, único e inesquecível. Mas houve tréguas. Umas abertas reveladoras da paisagem imensa deste parque. Uns raios de sol tímidos, sublinhados por um heptacrómico arco íris. Ùnico! Só visto. Só sentido. Só lá estando. E a sensação de conquista? Vivida dia após dia, pedra após pedra, curva de nível após curva de nível, que justifica só por si o penar do esforço sentido por todos. Um grupo muito simpático, com as inesgotáveis 3 Marias, mais todos nós, com um extra de energia atlântica da Madeira, numa representação dos vigorosos Pés Livres, reforçaram ainda mais estes dias na montanha. Valeu! Gostei! Gosto cada vez mais da montanha e de tudo o que ela desperta em mim. Ali sinto... Sinto-me vivo!


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