segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Caminhada 06 - Serra da Lousã

Duas bolhas, uma em cada calcanhar. Assim terminou a minha caminhada desta semana. A pedragrega também teve direito a um leve inchaço, causado pela ainda inflexível língua de uma das botas. E porquê? Porque neste fim-de-semana trepamos de verdade. Objectivo, ligar a Lousã ao Trevim, o ponto mais alto da Serra. Pela 2ª vez nesta série, hoje, vamos sozinhos. Não temos tantas conversas para trautear, mas em contrapartida, os timings conseguidos são bem mais próximos dos planeados. Saímos a horas da Lousã (150m). São 9h36, estamos nós, totalmente impermeáveis, ainda desconfiados do sol que se faz sentir depois de uma noite caudalosa de chuva, mas prontos para subir a serra, independetemente do que do céu cair. Marcamos o percurso directamente da carta militar para o GPS e, assim, é só seguir as instruções do aparelho. Poucos metros de estrada sempre a subir, fugindo ao aglomerado urbano, já o mapa electrónico aponta para trás. Mas por onde? - perguntamos nós – Por aqui? – parece que vamos para o quintal desta casa – Mas não… o trilho tem cerca de 2m de largo e sobe violentamente debaixo de uma densa vegetação maioritariamente de acácias/mimosas. Tudo é verde e terra à nossa volta, o que não falta é água, que sorrateiramente tem tirado os alicerces de algumas árvores que mais cedo ou mais tarde, acabam por cair. Passados alguns minutos emergimos na estrada nacional, que foi agradavelmente encurtada com este atalho. Em Alfocheira estamos. Mais um belo nome da nossa rica toponímia local, como ainda mais à frente estas outras aldeias: Vaqueirinho, Catarredor (aldeias hypies), Talasnal (obrigatório visitar) ou Chiqueiro… Continuando viagem, mais à frente há um muro mordido pela queda bruta de uma árvore. Deve-se ter atravessado na estrada. Só lhe vemos a raiz de um lado da estrada e o tronco de largo diâmetro cortado, do outro lado. Logo depois, abandonamos novamente a estrada nacional e pela frente, prémio de montanha de 1ª categoria. O terreno é razoavelmente regular, mas a subida não dá tréguas. Sobe sem fim, sem o descanso de uns curtos metros planos, nada! Como estamos só os dois, forçamos o ritmo e é óbvio, isto puxa! Não se vê paisagem, as mimosas não deixam, têm 4 vezes o nosso tamanho. Mas aqui e ali vê-se a Lousã. Bolas, já subimos bem, fica lá em baixo! A manhã está espantosa. Uns 10º fazem-nos tirar as protecções do frio. A chuva ainda não apareceu, mas há umas nuvens negras lá ao longe, de respeito. Com muito poucas paragens, seguimos a bom ritmo, em contagem decrescente para a Ortiga, um dos vértices geodésicos da Serra e, espera, eu conheço isto. Claro, foi aqui (na Ortiga) que em Julho fiz o meu baptismo de parapente. Esta serra surpreende-nos. Além da subida, que não sei se já falei, a vegetação, espetacular, variada, verde, pojante e robusta. Surpreende-nos ainda uma zona particular, tão densa, tão densa, que no interior nem a luz entra. É quase breu total ali de baixo, mesmo a estas 11h48 desta manhã solarenga. Pausa técnica para almoço. A temperatura desceu. Estamos mais altos e o vento aliado à temperatura abaixo dos 2 dígitos já obriga a gorros e luvas. Seguimos e uns metros à frente, aí está o parque eólico da Ortiga (896m), num belo planalto, pintado de sol, aquando da nossa chegada. E o Trevim? – pergunta a pedragrega – Ali! – aponto eu - expressão de desânimo, revolta, O quê, tão longe? De facto, as distâncias na montanha não se percebem. A brincadeira das antenas, parecem inatingíveis, mas o truque é sempre o mesmo, um pé à frente do outro e há-de-se chegar a algum lado. O céu limpou, não há nuvens. Os aerogeradores que nos rodeiam, são uns monstros vistos de tão perto. O GPS não pára de nos mostrar o dedo indicador. Pela aresta desta nova vertente, aproximamo-nos cada vez mais das antenas do Trevim. Entramos numa autêntica autoestrada de terra batida, de acesso aos sítios das grandes máquinas. Aldrabamos mais à frente o percurso pelo corta fogo das linhas de energia, com o prémio de uma pendente ainda mais íngreme. A subestação do parque está lindíssima, muito bem camuflada na paisagem. Pouco depois, aí está o alto do Trevim. Que espectáculo, estamos nos 1208m diz-nos o GPS. Temos 12Km nas pernas. O alto está pejado de antenas, militares, de comunicações rádio e nenhuma de telemóvel (não temos rede). Supostamente o nosso carro apoio devia estar aqui. Não está. Não há crise, depois das fotos e contemplações do pódium natural de montanha, que um ponto mais alto sempre nos oferece, seguimos, agora por estrada em direcção a Candal, única via de acesso automóvel para aqui, parece-nos. Conseguimos somar mais 4 Km ao marcador, após o que fomos resgatados e levados para a banheira quente e preguiçosa em casa, lá em baixo. Terminamos o programa com os cuidados de podologia exigidos pelos pés, estrelas de cartaz neste Sábado assim registado.

Distância: Freita + 300m

Tempo: 4h57

Altitude mínima: 153m

Altitude máxima: 1214m

Subida acumulada: 1095m

Caminhada 06 done.



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