sexta-feira, 16 de março de 2007

Sob a Savana

O balanço não podia ser mais positivo. Fizemos tudo o que planeamos. Tudo. E a última extasiante experiência desta nossa viagem foi simplesmente única: sobrevoamos Maasai Mara num balão de ar quente! Que paz de espírito. Estreantes os dois no balonismo, foi sem dúvida inesquecível, mais uma vez. No dia anterior deitamo-nos já não muito cedo e levantamo-nos às… 4:00AM. Preparativos, viagem, briefing e tudo a postos para decolarmos ainda antes do nascer do sol. Nessa manhã fomos 2 balões, o nosso com 12+1 pessoa no cesto e outro com 16+1. A empresa que faz isto, é de topo e, por isso as mordomias são muitas. Após o demorado enchimento dos balões com ar (frio), a comédia da entrada num cesto deitado, com uma mulher de 150Kg no camarote mesmo por cima de mim, os queimadores aquecem o ar daquele gigante cogumelo de pano. Em poucos minutos estamos na vertical e em pouco mais estamos já despegados do chão. O piloto pede uma salva de palmas para o pessoal assistente que fica em terra e com um silêncio incrível, pontualmente incomodado pelo barulho das labaredas, começamos a ganhar altitude. Com a herança das viagens por terra, guardada ainda bem fresca na memória e no corpo, este movimento sereno sem saltos, abanões, arranques e travagens, parece uma massagem, sem o ser! A aurora já despontou, mas o sol ainda não nasceu. O piloto vai falando do pouco que se vê. A preocupação é ver alguns animais lá de cima. O leopardo pelos vistos é o mais ambicionado de todos. Nós nem fazemos questão, mas o jogo de detective em busca de algo que mexa ali em baixo é engraçado. Vimos alguns animais, mas não muitos. Ficamos a saber que neste meio, pouco se controla para além do movimento vertical. De resto o vento é rei e senhor. Voamos durante cerca de 1h e fiquei foi impressionado com a distância percorrida e com a duração das rasantes ao chão, a flutuar como uma pena. As árvores à nossa frente não se desviam, mas o calor das chamas eleva-nos em tempo útil de evitar uma colisão não solicitada. Para rematar esta mordomia há ainda um momento único. Uma taça de champanhe, seguida de um pequeno-almoço serviçal e farto numa colina, em plena reserva, com todos aqueles sons e cheiros a rodearem-nos. Giro são também os avisos/pedidos do nosso piloto: "Jamais passem para lá dos jipes, é a nossa linha de segurança." É que pelos vistos aqui, qualquer animal, mesmo o elefante, consegue correr mais que o mais veloz dos humanos.



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