sábado, 10 de novembro de 2012

Aves

Gosto, gosto muito de aves. Das criaturas mais espantosas à face da Terra. Na base ou no topo de uma cadeia alimentar, estes seres vivos que dominam o nosso planeta. Que se adaptam às mais adversas condições, sobrevivem com o mais parco dos recursos. E há aves para todos os gostos. Exóticas, exuberantes, de grande porte, minúsculas, com bico aguçado, com bico achatado, com penas longas, quase sem penas, diurnas ou notívagas. Tantas e tão variadas que conhecer-lhes as caraterísticas é um desafio que exige prática, dedicação e paciência. Gosto particularmente das aves de rapina. Águias, milhafres, falcões, abutres, búteos, açores e milhafres. Excelentes voadoras, altivas, poderosas e com um porte impressionante. Espécies protegidas, são exemplares únicos da minúcia da natureza em aprimorar autênticas máquinas soberanas do seu território. Com uma visão incrível e uma destreza voraz, dominam e inquietam. O Douro internacional, em Freixo de Espada à Cinta, é um excelente miradouro de aves de rapina. Os grifos voam e sobrevoam a paisagem e dali, do Penedo Durão, pode-se apreciar a ligeireza dos seus voos atentos. Mas foi no Alentejo, em cativeiro é certo, mas ainda assim, em ambiente natural que assistimos à manutenção física das aves que a falcoaria da Codelaria de Alter mantém. O privilégio de participar nessa rotina diária, pondo as aves a voar livremente, enquanto se exercitam a "caçar" as presas que os tratadores lhes atiram pelos ares, é uma experiência incrível. Foi em 2010 que lá estivemos, e adorámos. Mas nas aves gosto também do canto. Esse xilrear que preenche o campo e entra pelos ouvidos dentro como uma melodia harmonisosamente compilada pela natureza. O canto das aves livres é sublime. Outra performance que gosto nas aves é a sua dança pelos ares. Sozinhas e apressadas, ou melhor ainda, em bando. Ver um bando de aves deixa-me fascinado. E as migrações? Esse fenómeno incrível que desloca milhões de aves todos os anos, de um lado para o outro. Nós em Portugal somos uns priveligiados. Somos um "hot spot", ou de outra forma, um importante ponto de passagem das migrações. Isso significa que por cá passam essas rotas que nos dão a oportunidade de observar bem de perto a azáfama dessa busca incessante de alimento. Lá fora, há milhares de pessoas que têm como passatempo a observação de aves. Cá não é tão frequente. Mas essas pessoas sabem que Portugal é um destino de eleição para se ver as aves. Gosto das migrações, gosto de ouvir as andorinhas chegar na primavera. Mas gosto  especialmente de ver essas nuvens de aves que se agitam nos céus como que por magia, com movimentos ora lentos ora bruscos. Um fenómeno raro, possível de observar sobretudo em época de migrações. Por tanta inspiração que a aves me dão. Gosto, gosto muito de aves.






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