sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Aviões de papel

Gosto, gosto muito de aviões de papel. Uma simples folha dobrada e redobrada pela ordem estipulada, para se tornar magicamente num objeto voador. Não sei onde aprendi a fazer o primeiro avião de papel, mas a emoção é muita. Transformar essa inerte folha de papel, num ser vibrante, enérgico e com vida própria é algo que entusiasma logo quando se vê o efeito pela primeira vez. E um avião de papel é isso mesmo, o efeito. Terminar rapidamente para se lançar e ver como voa. A pressa de terminar é voraz, precisamente para se ver o resultado, a dinâmica do voo. Cada dobra pode estar muito bem vincada, as asas podem ter pinturas assustadoras, mas de nada serve se o avião não voar. O verdadeiro teste da mestria do autor está na destreza do voo. É preciso lançá-lo para o ar. Um jato, com força e convicção para ir longe. Um planador, com suavidade e no ângulo certo para pairar ali à nossa frente, o máximo de tempo possível. Lembro-me que comecei pelos jatos. Durante muitos anos só fiz jatos. Tentei aprimorar a técnica. Frustação tantas vezes quando após largada caíam redondos de bico no chão. Satisfação logo a seguir com a afinação do aparelho de vôo. Uns ailerons recortados em cada uma das asas, dobrados para cima, já permitiam compensar o "peso da cabine". Mas o prazer desse voo nunca durava mais que uns escassos segundos. Até que descubro os planadores. O único avião de papel que ainda hoje consigo fazer. Ontem fiz um, num guardanapo de papel, no Botirão, em Aveiro. Dá gosto ver como voam bem. Dançam como numa valsa, a rodopiar pelo atrito do ar contra a gravidade do seu mísero peso. Um dia destes tenho que ensinar o Tiago a fazer aviões de papel. Mas não é de estranhar que goste de aviões de papel, ainda hoje. Representam bem mais que o simples objeto em si. Mais até do que refrescar as memórias de infância, são mais até uma personificação da espontaneidade e da irreverência de quem os atira. No escritório, num anfiteatro, num espaço aberto, dobrar secretamente um avião de papel, lançá-lo no ar e esperar a reação. Espanto no primeiro segunto, logo seguido de descompressão e boa disposição. Ninguém fica indiferente. Ninguém é insensível ao voo frenético de um avião de papel. E não é que há um campeonato anual de aviões de papel? O Red Bull paper wingsFabuloso! Um gosto meu quase promovido a modalidade olímpica. Fazer um avião de papel, lançá-lo e provocar o sorriso na cara de alguém ainda por cima é grátis e está disponível a qualquer um. Não se sabe fazer um avião de papel? O youtube ensina. Centenas de vídeos disponíveis. Pela irreverência, pela energia, pela coreografia de vôo, pela sua simplicidade gosto, gosto muito de aviões de papel.




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