quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Elementos

Gosto, gosto muito dos elementos. Dos quatro sem distinção. Da água, da terra, do fogo, do ar. Esses constituintes do nosso mundo que nos alimentam, nos amparam, nos aquecem e nos refrescam. Sempre disponíveis para nosso conforto e sobrevivência. Os elementos são uma das maravilhas da natureza. Um mecanismo hábil de conduzir a vida, de renovar, de alimentar o ciclo vital dos animais e das plantas. A água, esse elemento químico que temos como suporte à vida, abunda por cá. Tanto no planeta, como nos nossos próprios corpos. Mais de setenta por cento da superfície da Terra é coberta por água ou mais de setenta por cento o nosso corpo é também ele constituído pelo líquido fundamental. Presente nos oceanos sobretudo, a água está também presente nos rios, nos lagos e na atmosfera. A terra, materializada em continentes e ilhas, é a fonte do nosso sustento. A origem do nosso alimento, a base mais elementar da nossa existência, a raiz das nossas esperanças. A terra da Terra é única. Rica em nutrientes essenciais, coloca-nos à superfície o melhor do seu esforço. Já o fogo, sempre que dominado, transforma e purifica o nosso mundo. No calor retemperador de uma lareira no inverno, na intensidade de um fogão que distribui a sua energia pelos alimentos cozinhados ou ainda no romantismo de uma vela carinhosamente acesa. O fogo faz parte de nós, o fogo é-nos essencial. Mas só o ar, a atmosfera, permitem a perfeita sintonia da vida e da harmonia da biosfera. As trocas gasosas essenciais para assegurarem o ciclo da água, as variações de temperatura necessárias à evolução das espécies. O ar que respiramos é um bálsamo para o corpo, um tónico para a alma. Vale a pena, sabe bem e é gratuito, respirar, respirar conscientemente. Inspirar bem fundo, fechar os olhos, reter por breves instantes o ar, expirar lentamente todo o ar, até ao fim. Repetir uma vez, outra, e outra ainda. Uma lufada de ar fresco, vigorosa, sem mais adereços. E gosto ainda dos elementos transformados. No seu devido momento são uma delícia e gosto de os apreciar. Um dia de chuva não é necessariamente mau, como tantas vezes se ouve na metereologia. Como costuma dizer um amigo «hoje está um excelente dia de chuva». A chuva é uma benção e é tão bom tê-la por perto. Precisamos apenas de nos proteger em conformidade. Se assim for, andar no exterior à chuva, não só não é mau, como é uma das experiências mais autênticas da nossa existência. E as noites de nevoeiro? Adoro uma noite de nevoeiro, na aldeia, a pé, sentir o silêncio dessa nova acústica, sentir nos ombros a proteção daquele manto leve, olhar para uma nova paisagem difusa. No fogo espanta-me sobretudo o que emana dos nossos pés. A lava dos vulcões. São um dos fenómenos naturais mais espantosos que podemos assistir. Nos Açores este verão, as furnas denunciam um fogo grande logo ali por baixo, mas foi no Hawai'i, em 2009 que vi de perto o fulgor da lava, a sua intensidade, o seu contraste, a sua vida. Impressionante! Nisto tudo vale a pena sobretudo estar atento. Aproveitar cada oportunidade para ver, ouvir e sentir os elementos. Que um dia de chuva nos encha de entusiasmo, que um dia de vento nos faça um papagaio voar, que o calor do sol nos leve até ao mar, que a textura da terra nos caia pelo dedos das mãos.

ÁGUA | Parque Nacional de Aiguestortes e Estany de St Maurici (Pirinéus), julho 2011

Terra | Dine - Parque Natural de Montesinho, agosto 2008

Fogo | Big Island - Hawai'i, março 2009

Ar | Parque Eólico offshore - Dinamarca, setembro 2011

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