terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fogo-de-artifício

Sinto o Tiago a crescer de dia para dia. É incrível como mesmo estando aqui, lado a lado, noto esta evolução. A nível físico sim, mas sobretudo a nível cognitivo. Este mundo exterior é uma curiosidade que não termina e, acordado, não pára de olhar, olhar muito, e esforçar-se por agarrar e entender tudo o que o rodeia. Pessoas, caras e expressões são o seu programa cultural favorito. Mesmo assim tenho insistido num outro programa, de espaços alternativos. Hoje fomos a pé ao Museu Papel Moeda, aqui ao lado na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda. Um museu não muito extenso mas com uma valiosa e notável coleção de notas, cheques, ações, lotarias, papel selado e letras. Uma homenagem ao património fiduciário português, aprendi eu. Não foi um dos meus favoritos, mas ainda assim simpático recordar o escudo, os contos e conhecer ao vivo os "Reis". O Tiago gostou. Dormiu o tempo todo, tal era o sossego e a temperatura agradável do interior.

Mas hoje gosto, gosto muito do fogo-de-artifício. Esse raios de luz que rasgam o céu e explodem alegre e geometricamente por cima de nós. Essa manifestação universalmente festiva que alegra o céu noturno, que coroa com orgulho o ponto alto do cartaz das festas. Aqui no Minho, muito associado às romarias e devoções a santos e santas patroeiros da terra, o fogo-de-artifício é rei e senhor. A animação pode agradar a uns e desapontar outros, o cortejo etnográfico pode ser mais elaborado ou mais modesto, as barraquinhas podem ter mais ou menos negócio, mas o fogo de artifício faz as pazes com todos e obriga a uma pausa. De nariz erguido e pescoço esticado lá nos esforçamos por contemplar a obra que o artista preparou para essa noite. Criativo, luminoso, espetacular, subtil ou explosivo, que nos será servido nessa noite? As figuras são mais ou menos recorrentes, cogumelos de várias cores, serpentinas nervosas e sibilantes, nuvem de micro faíscas fulminantes, colares luminosos em queda livre a baloiçar, ou simplesmente pinceladas de cor aqui e ali. Mas o que distingue um bom fogo-de-artifício é a coreografia, o desenrolar da história, a sequência das figuras e claro a espetacularidade da apoteose final. Lembro-me sempre das festas de S. Tiago, em Celorico de Basto, com um fogo-de-artifício longo e estrondoso, todos os anos. O próprio Senhor de Matosinhos não se escusa a um bom fogo, em várias noites, a recordar as redondezas que ainda é verão. Mas mais espetacular ainda é o fogo-de-artifício sincronizado com música. Uma maravilha possível apenas com a capicidade de computação atual, com os CPU's a controlarem ao milisegundo cada rocket, cada explosão de luz com a euforia da banda sonora. O S. João aqui no Porto é um belo exemplo deste espetáculo. Com uma plateia bem distribuída entre ambas as margens do Douro, a simbiose de luz e som enchem os céus. Mas claro, Fogo-de-artifício com 'F' grande é o de Ano Novo, hora a hora, de Sidney a Nova Iorque. Uma montra da criatividade humana, televisiva e instantaneamente difundida para todo o planeta. Nisto tudo, perceber ainda que as melhores empresas pirotécnicas são lusas, é um orgulho enorme. No Festival Atlântico, na Madeira, assistimos em 2010 à demonstração do nosso melhor. Um orgulho e uma honra contar com tamanha excelência. Um espetáculo de verão, gratuitamente disponível em tantos lugares. E é tão bom celebrar a vida com um fogo-de-artifício. Por isso gosto, gosto muito de fogo-de-artifício.







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