domingo, 14 de outubro de 2012

Terra molhada

Gosto, gosto muito do cheiro a terra molhada. Aquela frescura emanada do chão depois das primeiras chuvas. Esse cheiro que se sobrepõe a todos os outros perfumes do campo. Esse odor genuíno que paira no ar durante breves instantes. É preciso estar atento e ser perspicaz, que este aroma intenso rapidamente desaparece com a mesma leveza com que chega. Tenho saudades. Não me recordo até quando foi a última vez que senti a emoção do cheiro a terra molhada. Inspirar bem fundo, expirar, voltar a inspirar ainda mais fundo e libertar novamente a pressão dos pulmões, para guardar e ter bem presente o registo deste aroma tão genuíno. Neste mundo tão visual, o olfato esse sentido primitivo e outrora essencial à sobrevivência, é remetido para segundo plano e a sua importância camuflada pela sensacionalidade da aparência. Mesmo este meio aqui, a rede universal de informação que nos une, é imagem é som, mas não é cheiro. Tem havido tentativas, mas pouco promissoras. É que parece que o universo reclama ainda alguma autenticidade e aqui parece que nos diz, nem tudo é virtual. Esta autenticidade são os aromas, os cheiros caraterísticos de cada um dos átomos, as fragâncias que deambulam pelo ar. O cheiro a terra molhada é um belo exemplo. Não o há em qualquer lado. É preciso estar no sítio certo à hora certa e... voilá. Que cheirinho tão bom a terra molhada!


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