quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Locomoção humana

Gosto, gosto muito da nossa capacidade de locomoção. Essa proeza notável da evolução que nos torna uma das máquinas mais evoluídas à superfície da Terra. O movimento espacial do nosso corpo, pé ante pé, passo a passo, que lá nos impele para a frente e nos tira daqui para nos levar para acolá, para longe. Uma capacidade tão intrincada em nós adultos, que raramente questionamos a proeza de que somos capazes. Esta capacidade é mesmo notável. A troco do dispêndio de umas meras calorias, os músculos das nossas pernas sincronizam-se, articulam-se e miraculosamente lá conseguem mover a macro estrutura de que fazem parte para a frente, para os lados, para trás, para cima até, com um salto. Um impulso vigoroso já capaz de elevar o corpo para lá da fasquia dos dois metros de altura. Dois metros! O mesmo mecanismo que nos permite a locomoção é capaz de elevar o corpo até dois metros de altura. Assinalável. Mas o simples caminhar é um dos meus gostos mais genuínos. Ter por garantido o alcance do que me rodeia. Tornar a ambição duma distância, uma realidade. Sentir o prazer da conquista que esse feito nos dá, é um gosto. Quem já fez uma caminhada exigente sabe do que falo. É preciso sentir, é preciso viver essa emoção para venerar esta nossa capacidade de locomoção. Eu gosto, gosto muito, cada vez mais de me (lo)comover. Agora que vejo o Tiago a aproximar-se desse momento em que irá dar o primeiro passo, penso mais nisto. O quão difícil nos é coordenar a motricidade do movimento. O quanto difícil nos será equilibrar o corpo hirto na vertical. A locomoção, aparentemente simples, é afinal um processo deveras complexo. Tão complexo que não há robot algum que o consiga reproduzir fielmente . Algumas tentivas têm sido feitas, mas as limitações são sempre muitas. A locomoção humana é um feito da criação. E eu aprecio a forma como o podemos fazer, gratuita e saudavelmente todos os dias, sempre que nos apeteça. Assim digo, que gosto, gosto muito da locomoção humana.

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