segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mapas

Gosto, gosto de mapas. Essas representações abstratas do nosso contexto. Esses padrões que definem fronteiras. Essas alegorias da finitude do planeta. Dá-me um conforto enorme olhar para um mapa mundo e, ao ver tudo, de um só relance perceber que,  o meu mundo é isto aqui! Os geógrafos que conseguiram esta proeza no passado merecem toda a nossa veneração. Fantástica e universal representação da nossa realidade. E saber ainda que muitos deles foram sangue do nosso sangue. Esses quinhentistas portugueses que navegaram mapa abaixo, a recortar África. A decalcar cada cabo, cada enseada, cada vento, cada maré que define hoje com pormenor este nosso mapa mundo. Gosto de todos os mapas, os políticos os meus preferidos, a par com as cartas militares de escala mais pormenorizada. Mas gosto também dos mapas de relevo, esses que mostram onde está cada montanha, até onde cada vale se estende, ou quão fundo vai aquela fossa abissal do oceano. Mapas com tanta informação que às vezes sinto não processar tudo. Mapas climáticos, mapas rodoviários, mapas demográficos e tantos outros. E os mapas de cidades, com os pontos de interesse assinalados? Multi-coloridos de todas as formas e feitios, sempre disponíveis gratuitamente em qualquer cidade que recebe com carinho os seus visitantes. Mas mapas curiosos vi em 98 na EXPO. No pavilhão do território. Desconheceço a nomenclatura correta, mas eram uns mapas de portugal, contorcidos e retorcidos, conforme o tempo de viagem a um determinado local e não conforme a distância como habitualmente. Figuras fantásticas, que me fizeram pensar. Nuna mais os voltei a ver. Mas mapa original ainda, foi-me oferecido pela Joana e o Tiago, há uns tempos atrás. Um Scratch map mundo, a decalcar ao ritmo das nossas viagens, que está aqui afixado na parece. Quando o recebi, comecei entusiasmado a rasurar cada país já visitado, com cuidado para não passar inusitadamente a fronteira. Terminei estupefacto pela quantidade de países ainda ocultados. Tanto ainda para explorar! América, Ásia e África, quase tudo. Gostava de rasurar mais, bem mais. Mais recentemente descobri ainda outros mapas originalíssimos também. Os Crumpled city maps, ou mapas de amarrotar. Uma ideia genial para qualquer explorador de uma cidade. À prova de água e maus tratos, estes mapas ultra leves, super práticos e muito cómodos para andar todo o dia no tira-põe, que era afinal a principal ameaça à dignidade de um mapa normal. Este ano, aqui o Porto  recebeu a mais recente edição destes mapas. «Já podemos amarrotar o Porto sem perder o norte», como diz o Fugas. Mas as cartas militares, com todos aqueles detalhes são, sem dúvida, os meus mapas de eleição. Se atualizadas são uma radiografia fantástica para explorar qualquer ermo lugar, mesmo que nunca lá se tenha estado na vida. Por tudo isto gosto, gosto muito de mapas.

Mapa de rasurar/decalcar


Mapa de amarrotar


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