domingo, 21 de outubro de 2012

Tascas

Gosto, gosto muito de tascas. Esses últimos recantos do tradicional, do parolo, do rural, mas sobretudo do genuíno. Uma tasca é um ponto de encontro de amigos, é aquele reduto onde nos podemos rir sem travões, onde a comida e a bebida algemam alegremente todos os que se sentam à mesa. Esses lugares onde apetite é maior. Numa tasca temos aquela atmosfera de cheiros, aromas, humores, temperos e sabores únicos que nos fazem degustar cada um das oferendas da cozinha como uma iguaria. Um tasco é também um ecossistema peculiar. O taberneiro de brutos modos ou a cozinheira atrevida apimentam ainda mais este gosto. Locais ideias para observar hábitos, usos, costumes e tradições. Sítios onde o tempo fica à porta, quer para nós, quer na decoração interior. Comumente uma tasca é e sempre foi assim. Curtido pelos feixes de luz mais ousados que penetram pelas pequenas janelas ou frinchas do telhado ou da porta. Muitos há ainda onde paredes, teto, colunas e tudo o demais pode ser um verdadeiro museu. Bem, museu não será o melhor qualitativo, tal é a desordem da "exposição", mais um repositório dos mais improváveis objetos. Alfaias agrícolas, muito comum; loiça com pratos, canecas, travessas e claro o santo antónio das caldas sempre; cachecois, bandeiras, bonés e demais adereços do clube da casa; notas antigas muitas, presas nos cantos por alfinentes ou melhor de todos, o que eu mais gosto, cantos de toalhas de papel a forrar tudo, com dedicatórias, agradecimentos, mensagens e demais prosa popular, ali desposada e à disposição de todos. Muitas tascas há por este país abaixo. Umas mais genuínas, outras mais populares, mas todos elas com o seu "je ne sais quois", ostentando sempre o título de "very typical". Lembro-me assim no momento de algumas. A Tasquinha da Alice (255381381) no Bobal, ali em Mondim de Basto, encantadora e a verdadeira tasca, com um pastelão de salpicão muito guloso. O Salto o Muro (229380870) em Matosinhos, já mais restaurante de cidade, mas ainda assim adornado com garrafões e mesas corridas, com umas tiras de presunto generosamente cortadas às tiras, enquanto se espera pelo jantar de peixe fresco. O Moscoso, ao lado do Nariz do Mundo, em Cabeceiras, faz uns bifes de vaca grelhados que se derretem na boca. O Albertino (238745266), em Folgosinho, Serra da Estrela, um clássico com muita fama, onde os 6 pratos servidos atestam, mais do que satisfazem as papilas gustativas. A Tasquinha do Fumo, em Soalhães, Marco de Canavezes, num recanto recente revigorado pelo folgor do novo percurso pedestre, tem umas pêras bêbadas embebidas em tinto quente com canela incríveis. O Martelo (232958884), em Silgueiros, Viseu, onde estive há muito muito tempo atrás, com chão em terra batida, onde preciso de voltar para refrescar a memória dos pratos. A Adega Evaristo (234424780), em Aveiro, atrás da Câmara, também mais urbano, mas ainda assim com bifes XXL. Tantos e tão diferentes. Todos eles com grandes recordações de belos momentos ali passados à volta da estrela da casa, a comida. Gosto, gosto muito e cada vez mais de Tascas.




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